Supostos indígenas armados invadem fazendas, expulsam trabalhadores e espalham medo na zona rural no Extremo Sul

O clima de medo e insegurança voltou a tomar conta da zona rural do município de Itabela, no Extremo Sul da Bahia. Uma nova sequência de invasões de propriedades rurais, atribuídas por moradores e trabalhadores a grupos de supostos indígenas, tem provocado tensão na região do distrito de Montinho.
Segundo denúncias, os envolvidos estariam utilizando armas de fogo, inclusive de grosso calibre, para intimidar trabalhadores, expulsar ocupantes e assumir o controle das fazendas.
Os episódios são descritos pelos grupos envolvidos como ações de retomada territorial. Entretanto, os métodos denunciados por trabalhadores e moradores levantam graves preocupações sobre a segurança das famílias que vivem e trabalham no campo.
De acordo com informações repassadas à reportagem, pelo menos duas fazendas teriam sido ocupadas nos últimos dias, enquanto outras propriedades também passaram a ser alvo de tentativas de invasão.
Primeiro episódio — 4 de outubro
O primeiro episódio recente relatado aconteceu na madrugada do domingo, 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições de 2026. Segundo funcionários, por volta da meia-noite, um grupo de supostos indígenas teria chegado armado a uma propriedade rural localizada nas proximidades do distrito de Montinho.
Ainda conforme os relatos, os invasores efetuaram disparos de arma de fogo, provocando momentos de terror e obrigando trabalhadores a abandonar a fazenda.
A propriedade é destinada à atividade pecuária e abrigava centenas de cabeças de gado. Após a invasão, grande parte dos animais não teria sido recuperada. No local também estavam tratores, veículos e pertences dos funcionários.
Até o momento, não há informações confirmadas sobre o destino dos animais e dos demais bens que estavam na propriedade.
Segundo episódio — 8 de outubro
A situação voltou a se repetir na quinta-feira, 8 de outubro, por volta das 16h, quando a Fazenda Cachoeirinha, localizada na mesma região, também teria sido invadida.
Conforme as denúncias, homens armados teriam efetuado disparos durante a ação, provocando medo entre os ocupantes.
Os relatos indicam que os grupos responsáveis pelas invasões continuam ocupando as propriedades, aumentando a preocupação dos produtores rurais e trabalhadores da região.
Terceiro episódio — 11 de outubro
A tensão aumentou novamente no domingo, 11 de outubro, quando, segundo moradores, houve tentativas de invasão de outras duas fazendas.
Na mesma ocasião, integrantes dos grupos também teriam tentado expulsar moradores do Assentamento Terra à Vista, onde vivem aproximadamente 30 famílias.
A possibilidade de expulsão dessas famílias amplia a gravidade das denúncias, uma vez que envolve pessoas que dependem diretamente da terra para moradia, sustento e sobrevivência. O temor é de que a continuidade das ações provoque confrontos e coloque vidas em risco.
Contexto fundiário
A região do Extremo Sul da Bahia enfrenta conflitos fundiários há vários anos, envolvendo disputas por terras, reivindicações territoriais indígenas e propriedades rurais.
É importante destacar que os direitos territoriais dos povos indígenas são assegurados pela Constituição Federal e devem ser respeitados. Entretanto, nenhuma reivindicação territorial autoriza ameaças, disparos de armas de fogo, violência contra trabalhadores ou subtração de bens.
Caso sejam confirmadas, as condutas denunciadas precisam ser investigadas e seus responsáveis identificados, independentemente de sua origem ou condição.
O que não pode ser considerado normal é que trabalhadores rurais sejam obrigados a abandonar seus locais de trabalho sob ameaças de armas de fogo, enquanto famílias inteiras passam a viver com medo de perder suas casas e seus meios de sobrevivência.
Da mesma forma, é necessário que as autoridades esclareçam a situação jurídica das áreas em disputa e garantam a proteção dos direitos de todos os envolvidos.
Perguntas sem resposta
A sucessão de episódios levanta questionamentos sobre a atuação dos órgãos responsáveis pela segurança pública e pela mediação dos conflitos fundiários:
· Até quando trabalhadores e famílias da zona rural terão que conviver com o medo de novas invasões?
· Quem está garantindo a segurança dessas pessoas?
· Quais medidas estão sendo adotadas para impedir que as disputas territoriais terminem em tragédia?
A situação exige atenção urgente das forças de segurança pública, da Polícia Civil, da Polícia Federal e dos órgãos responsáveis pelas questões fundiárias e indígenas.
Não se trata de criminalizar povos indígenas ou desconsiderar reivindicações legítimas, mas de cobrar a investigação de denúncias graves envolvendo indivíduos armados, ameaças, expulsões e possíveis crimes patrimoniais.
Considerações finais
O campo não pode se transformar em território sem lei. O direito à terra deve ser discutido e assegurado pelos caminhos legais, jamais pela imposição do medo e da violência.
A população da região de Montinho e os moradores do Assentamento Terra à Vista aguardam providências concretas para que a tranquilidade seja restabelecida e novos confrontos sejam evitados.
As denúncias apresentadas nesta reportagem são baseadas em relatos de moradores e trabalhadores rurais. A autoria das ações, o uso de armamento e a situação das propriedades ainda dependem de confirmação pelas autoridades competentes.
O Liberdade News segue acompanhando a situação e mantém espaço aberto para manifestações dos órgãos de segurança pública, das autoridades fundiárias e das comunidades indígenas eventualmente envolvidas.

