Piso tátil ou ciclovia? O desrespeito que compromete a acessibilidade em Teixeira de Freitas

Implantadas durante a gestão do ex-prefeito João Bosco, as faixas de piso tátil espalhadas por diversos pontos de Teixeira de Freitas foram criadas com um objetivo claro e necessário: garantir mais acessibilidade, autonomia e segurança para pessoas com deficiência visual. Mais do que um simples detalhe urbano, elas representam um direito básico para quem depende desses recursos para se orientar pelas calçadas da cidade.
No entanto, o que deveria ser um símbolo de inclusão tem sido frequentemente transformado em uma espécie de ciclovia improvisada. É cada vez mais comum ver ciclistas utilizando as faixas de piso tátil como corredor de circulação, especialmente em áreas de maior movimento.
Situações como essa levantam uma pergunta inevitável: trata-se de falta de informação ou puro desrespeito?
É possível que algumas pessoas realmente não saibam qual é a função dessas faixas. Afinal, a conscientização sobre acessibilidade ainda recebe pouca atenção no dia a dia. Mas também é difícil acreditar que todos os casos sejam fruto do desconhecimento. Muitas vezes, o uso indevido acontece mesmo diante da clara finalidade do piso tátil.
O problema vai muito além de uma simples infração de convivência. Quando um ciclista ocupa esse espaço, ele coloca em risco pessoas que utilizam o piso como referência para se locomover. O que foi criado para dar mais segurança a pessoas com deficiência visual pode acabar transformando-as em alvos de acidentes causados pela imprudência de terceiros.
É claro que a acessibilidade não depende apenas de obras públicas. Ela também exige respeito por parte da população. Da mesma forma que motoristas devem respeitar vagas reservadas para pessoas com deficiência, é preciso entender que o piso tátil não é pista de corrida, faixa de passeio nem ciclovia.
Diante da repetição desse comportamento, é legítimo discutir a adoção de novas medidas mais rigorosas. A aplicação dessas medidas, ainda mais elevadas para quem utiliza indevidamente o piso tátil, teria não apenas caráter punitivo, mas também educativo. A experiência mostra que campanhas de conscientização são importantes, mas nem sempre suficientes para mudar atitudes que prejudicam o próximo.
Teixeira de Freitas avançou ao investir em infraestrutura acessível. Mas de pouco adianta construir mecanismos de inclusão se a própria população não reconhece sua importância.

