Luto: Morre Maria Bernarda, a primeira professora da história de Teixeira de Freitas

Teixeira de Freitas se despediu, na madrugada desta quinta-feira, 17 de setembro, de uma das mulheres que ajudaram a escrever os primeiros capítulos da educação no município. Aos 82 anos, morreu Maria Bernarda Batista, lembrada por registros da história local como a primeira professora a lecionar na então pequena comunidade que mais tarde se tornaria uma das principais cidades do Extremo Sul da Bahia.
Nascida em 16 de março de 1944, Maria Bernarda viveu parte significativa da transformação de Teixeira de Freitas. Sua trajetória no magistério começou ainda na década de 1960, período em que a localidade apresentava uma realidade muito diferente da atual, com estrutura limitada e dificuldades para garantir o acesso das crianças à educação.
Naquele tempo, Teixeira ainda dava os primeiros passos de sua formação. O crescimento do povoado havia sido impulsionado, principalmente, pela exploração e comercialização de madeira. Antes de receber definitivamente o nome de Teixeira de Freitas, a região também foi conhecida como São José do Itanhém e recebeu denominações populares, entre elas Tira-Banha.
Em 1957, a localidade passou a ser chamada de Teixeira de Freitas, em homenagem ao estatístico baiano Mário Augusto Teixeira de Freitas. Alguns anos depois, Maria Bernarda começaria a atuar como educadora, acompanhando de perto a expansão da comunidade.
Professora em uma cidade que ainda estava nascendo
Registros históricos identificam Maria Bernarda como a primeira professora da localidade. O material também destaca os desafios enfrentados pela educadora para ensinar em uma época em que os recursos disponíveis eram muito diferentes dos encontrados atualmente.
Enquanto a comunidade crescia e recebia novos moradores, Maria Bernarda ajudava a alfabetizar crianças e contribuía para a formação de uma população que, nas décadas seguintes, participaria da consolidação do município.
Os números ajudam a dimensionar a transformação vivida por ela. O Censo de 1970 registrava aproximadamente 8 mil habitantes em Teixeira. Dez anos depois, a população já havia ultrapassado a marca de 40 mil moradores. A expansão também foi favorecida pela implantação da BR-101 e pelo desenvolvimento econômico da região.
Maria Bernarda esteve, portanto, em uma fase em que a cidade ainda estava formando sua identidade.
Memória além da sala de aula
A professora também deixou relatos sobre costumes e tradições da antiga comunidade. Em entrevista concedida à Revista Teixeira de Freitas, em 1985, ela recordou os antigos festejos juninos e a tradicional celebração de São Pedro.
Anos depois, uma fotografia antiga de Maria Bernarda voltou a circular entre os moradores. A imagem havia sido publicada em maio de 2016 no Museu Virtual de Teixeira de Freitas pelo saudoso Cley Brito. O registro despertou lembranças e comentários de pessoas que reconheceram na fotografia uma educadora que fez parte da infância de diferentes gerações.
Quando Teixeira de Freitas conquistou sua emancipação política, por meio da Lei Estadual nº 4.452, de 9 de maio de 1985, Maria Bernarda já havia acumulado décadas de participação na vida educacional e social da comunidade.
Despedida
A família informou que o velório será realizado nesta sexta-feira, 18, das 12h20 às 16h10, no Colina dos Ipês Suzano, em Suzano, São Paulo. O sepultamento está previsto para ocorrer às 16h20, no mesmo local.
Entre as pessoas que guardam lembranças da educadora está Carpergiane Rangel, conhecido como Carpê do Dallas e do Pit Stop, que foi aluno de Maria Bernarda. Ao tomar conhecimento da morte da professora, ele relembrou a convivência com a educadora e manifestou solidariedade aos familiares e amigos.
A partida de Maria Bernarda encerra a trajetória de uma mulher que viveu de perto a passagem de uma pequena comunidade para uma cidade em plena expansão. Sua história, porém, permanece ligada à memória daqueles que foram seus alunos e aos registros que ajudam a preservar a origem de Teixeira de Freitas.
Aos 82 anos, Maria Bernarda deixa familiares, amigos e ex-alunos, além de um capítulo importante na história da educação do município.

