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Destaque na Globo e muita cultura: 10 curiosidades históricas sobre o movimento Hip-Hop em Teixeira de Freitas

19/08/2026 - 15h32Por: Sulbahianews/Luiz Oss

O Hip-Hop faz parte da história cultural de Teixeira de Freitas há pelo menos três décadas. Entre grupos de rap, DJs, B-boys, grafiteiros, skatistas, batalhas de MCs, programas de rádio e projetos sociais, diferentes gerações ajudaram a construir uma cena que ultrapassou os limites das ruas e ocupou espaços culturais, praças e comunidades. Conheça 10 curiosidades dessa trajetória.

1) O Spy MC’s está entre os pioneiros

Entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000, o grupo Spy MC’s está entre os pioneiros que ajudaram a dar forma ao Hip-Hop em Teixeira de Freitas.

A formação reunia Mano Edson, Mano Dimas, Neguinho MC, DJ P e DJ Lobo. O grupo chegou a participar do quadro “Grupo de Garagem”, do Jornal Hoje, da TV Globo, levando a produção local para uma vitrine nacional.

Nesse mesmo período, outros grupos também contribuíram para fortalecer os primeiros passos da cena, como o 100% Veneno, formado pelos irmãos Mestre Guga e Maluco PH, e o MDS – Modos de Sobrevivência, com DJ Cachorrão, Flaveira Bass, Peixão e Nego Drama, nomes que ajudaram a construir as bases do movimento Hip-Hop na cidade.

2) Um dos primeiros festivais misturou Hip-Hop e rock

Em 2002, a aproximação entre integrantes de diferentes grupos da cena, como 100% Veneno e Ideia de Rua — que anos depois se tornaria MDS (Modos de Sobrevivência) — resultou na realização de um dos primeiros festivais locais de Hip-Hop.

O evento aconteceu na antiga Casa da Cultura e também abriu espaço para bandas de rock, aproximando diferentes manifestações da juventude.

3) Um B-boy do Espírito Santo ajudou a fortalecer a cena

Ainda no início dos anos 2000, o B-boy Johrasta — termo usado para designar os dançarinos de breaking, um dos elementos da cultura Hip-Hop —, vindo do Espírito Santo, passou a frequentar os ensaios do MDS no bairro Ulisses Guimarães.

Anos depois, outro nome se destacaria nas batalhas de breaking: o B-boy Sharingan, que levou o nome de Teixeira de Freitas para disputas dentro e fora da Bahia.

4) As rádios tiveram papel importante

A cultura Hip-Hop também encontrou espaço nas ondas do rádio. Na Rádio Liberdade FM, o programa Rap Positivo, inicialmente comandado por Mano Edson e posteriormente por Mano Dimas, ajudou a divulgar artistas e fortalecer a comunicação da cena.

Mais tarde, o grupo 100% Veneno passou a conduzir o Rap Rebeldia, encerrado com um festival no bairro Ulisses Guimarães, reunindo grupos de rap, B-boys e um público expressivo.

5) O Rap na Agulha atravessou diferentes gerações

Em 2005, DFR, atualmente conhecido como Flaveira Bass, e DJ Cachorrão assumiram o Rap na Agulha. O programa permaneceu ativo por um período e voltou durante a pandemia, entre 2020 e 2021, desta vez em formato de lives pelo Instagram.

Entre os convidados estiveram nomes como Crônica Mendes, ex-integrante do grupo A Família, e DJ Bolatribo, ex-DJ do grupo A Tribo da Periferia. Em 2025, o projeto ganhou uma nova dimensão com o Festival Rap na Agulha – Conectando Corações e Culturas.

6) Uma sede da Nação Hip-Hop Brasil surgiu na cidade em 2007

Em 2007, a região central de Teixeira de Freitas, próxima ao bairro Lagoa, recebeu a sede da Nação Hip-Hop Brasil Texas.

O espaço servia para ensaios e oficinas e contribuiu para o surgimento e fortalecimento de diversos artistas, entre eles MC Joabe, Rogério Sinal de Alerta, Ney Dici, Corrimão

7) A Praça da Bíblia virou ponto de encontro dos B-boys

Entre 2008 e 2009, as crews de breaking — grupos formados por dançarinos de breaking — passaram a ocupar com mais intensidade a Praça da Bíblia, que se tornou um importante ponto de encontro da cena.

Nesse período, também surgiram ou se fortaleceram grupos e artistas como Produto do Gueto, Código Criminal, Sintonia Negra, Roger 12, Rapper Jader, Três Cruzes, Rapper Dias, Mazinho e TCxhow, ampliando a presença do Rap e fortalecendo a cultura Hip-Hop no cotidiano da cidade.

8) As batalhas de MCs começaram a ganhar as ruas

As batalhas de MCs também passaram a fazer parte da cena. Uma das primeiras aconteceu na Laje do Baianino, espaço que atualmente é conhecido como QG Baianino – Casa do Flaveira Bass.

Depois vieram outras iniciativas, como a Batalha do Poste, Batalha Central, Batalha do BK e Batalha do Equilíbrio. Atualmente, a tradição segue com a Batalha do Faraó, mostrando a continuidade dessa cultura entre as novas gerações.

9) O graffiti ajudou a transformar as ruas em espaços de expressão

O graffiti esteve presente desde os primeiros momentos dessa história. Entre os nomes lembrados estão Wan e Hector, que também tinha ligação com o skate, além de outros artistas que espalharam suas intervenções pela cidade.

Com o passar dos anos, o graffiti ganhou novos espaços e projetos, com destaque para ações da ONG Arte e Cultura Urbana – Bahia (ACUBA), fundada por Flávio Silva de Oliveira, o Flaveira Bass.

10) O Beco do Belo virou lugar de memória do Hip-Hop e da cultura urbana

Uma das iniciativas mais marcantes dos últimos anos é o Beco Cultural, projeto que transformou o Beco do Belo em um espaço de memória e expressão artística. O local foi reconhecido como Ponto de Memória pelo IBRAM.

Em 2025, a Tropa do Baianino – Mutirão de Graffiti reuniu 11 grafiteiros da região e de outros estados e ainda promoveu a primeira batalha de tags realizada por Sklu e Flaveira Bass.

Uma história que ainda está sendo escrita

A história do Hip-Hop em Teixeira de Freitas não pertence a um único grupo ou geração. Ela foi construída por MCs, DJs, B-boys, grafiteiros, skatistas, produtores, coletivos e organizações que, ao longo de décadas, ocuparam ruas, praças, rádios, espaços culturais e comunidades.

Mais do que uma manifestação artística, o Hip-Hop se tornou uma ferramenta de encontro, identidade, resistência e transformação social. E, enquanto novas batalhas, músicas, grafites e projetos continuam surgindo, essa história permanece em construção — com fé, força e resistência.