Investigação

PF aponta Uldurico Júnior como peça central de esquema com facções criminosas para se eleger prefeito de Teixeira

16/04/2026 - 11h17Por: Com informações de Rafael Vedra/LiberdadeNews

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, 14 de abril, a Operação Colligatio — expressão em latim que significa “união” ou “ligação” — e colocou no centro das investigações o ex-deputado federal e candidato à Prefeitura de Teixeira de Freitas, Uldurico Júnior, integrante de uma tradicional família política baiana. A ação ganhou repercussão em todo o país, com destaque nas regiões Sul e Extremo Sul da Bahia.

Durante a operação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos municípios de Teixeira de Freitas e Salvador. Os alvos incluem imóveis vinculados ao ex-parlamentar e também ao ex-diretor do Conjunto Penal de Teixeira de Freitas. Na cidade do extremo sul baiano, as diligências ocorreram em locais situados na Rua Visconde de Abaeté, no bairro Bela Vista, e no Condomínio Alfa Ville.

Ao longo das buscas, os agentes federais recolheram diversos materiais, entre eles aparelhos celulares, computadores portáteis e dispositivos de armazenamento de dados. Além disso, dois veículos foram apreendidos: uma caminhonete Ford Ranger XLTC, com placa RZT-0E20, registrada em Teixeira de Freitas, e um Chevrolet Tracker T, placa RDB-0F71, vinculado ao ex-diretor da unidade prisional.

De acordo com as apurações da Polícia Federal, Uldurico Júnior é apontado como figura central em um suposto esquema que envolveria aproximação com lideranças de organizações criminosas atuantes na região. Há indícios de que o político teria buscado apoio de integrantes da chamada Facção Gueto, com atuação dentro do Conjunto Penal de Teixeira de Freitas, além do grupo conhecido como Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), que exerce influência no presídio daquele município.

A linha investigativa sugere que essa possível articulação teria como finalidade obter vantagem indevida nas eleições municipais de 2024. Entre as hipóteses analisadas estão promessas de benefícios a detentos e seus familiares, bem como eventual interferência na administração do sistema prisional em caso de vitória nas urnas.

Se confirmadas, as condutas podem enquadrar os envolvidos em diversos crimes, como corrupção eleitoral, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de associação para o tráfico de drogas, caso seja comprovada ligação com atividades ilícitas dentro das facções.

O inquérito tramita sob sigilo judicial. Procurado pela reportagem, Uldurico Júnior não respondeu às tentativas de contato. Em nota, a Polícia Federal informou que as investigações continuam em andamento e que todo o material recolhido será submetido à perícia técnica. A corporação também destacou que a Operação Colligatio representa um avanço no enfrentamento à atuação do crime organizado no processo eleitoral baiano.