Poesia

Versos & prosas: poesias teixeirenses – 1ª Edição

23/05/2018 - 16h55Por: Sulbahianews

A coluna Versos & Prosas foi criada com o objetivo de divulgar os trabalhos de poetas e poetisas locais. Os presentes poemas foram enviados pelos artistas mediante preenchimento de um formulário de inscrição. Nessa edição, a equipe do Sulbahianews selecionou de forma criteriosa os melhores poemas que nos foram enviados.

Os interessados em divulgar seus trabalhos poéticos na coluna Versos & Prosas devem preencher o formulário: Clique aqui. 

Os poemas selecionados foram  Stand by (Juni Monte), Beira-mar (Nilcélia Silva)  e Metamorfose poética (Jackson dos Reis Novais):

Stand by

Espera longa
Que me enlouquece.
Já perdi a conta
Das luas que passaram.

Nesse recanto,
Em descompasso,
Descanso o invólucro envelhecido,
De um espírito, hoje nem de longe,
Quebrantado.

Minh’alma inquieta,
Se sufoca na espera,
De luzes que acendam
No Farol da minha praia.

Dói o âmago,
E ninguém me responde,
– Pra onde eu sigo?
Eu que perdida,
Me afogo em lágrimas.

E onde estão
As boas novas
Que me contaram no caminho,
Dessa longa e triste jornada.

Sem alento, repouso meu ser
Sentada num deck
De madeira gasta.

Beira-mar

O fotógrafo pediu que eu ficasse à vontade
Era para tirar as roupas lentamente, sairia bem na foto.

Eu não estava constrangida
Estava à procura de razões para estar ali
Fotos nuas, quase nuas…Fotos.
Eu olhava para a câmera a espera que ela me devorasse.
No fim, ao cair da tarde refletiu no meu seio arrepiado
O frio da maresia litorânea

Minha pele parecia ter medo de entrar em foco, eu não.
Não havia mais nada a temer,
Mergulhei como uma sereia no mar,
Devoradora de homens.

As fotos nunca saíram da gaveta de baixo
E nunca entraram nela também.

Metamorfose poética

Como medir a felicidade de uma lagarta
que depois de algumas semanas na crisálida
emerge com um par de asas cintilantes?!
a metamorfose das borboletas é de se admirar
gosto de coisas leves e efêmeras pra contemplar
coisas que me trazem o fulgor das lembranças boas
a felicidade de uma borboleta-calda-de-andorinha
não se mede com outra coisa, senão poesia
não sou poeta completo… Não tenho asas
as flores do Flamboyant alimentam minha estesia
felicidade é a força motriz que se transforma em versos
a felicidade veio me visitar, secou minhas lágrimas
veio e ficou, me devolveu a razão de viver
me trouxe versos simples e piegas
a inspiração veio e eu brinquei com as palavras
jardins de bromélias!
libélulas Lygiaclarkeando
elefante em frenesi poético
no ímpeto de escrever palavras ásperas ou macias
flertando com a sonoridade da ópera dos pássaros
sabe o que é eterno e ao mesmo tempo efêmero?
o desabrochar das flores púrpuras que reverberam!
divago meu olhar pela imensidão de belezas
a luz do sol bate em minha face
e enxuga meus olhos de Veneza.


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