Manifestação

Protesto interdita BA-489 em Prado em meio a denúncias de invasões armadas e tensão no campo

14/02/2026 - 10h08Por: Sulbahianews

A rodovia BA-489, que liga os municípios de Prado e Alcobaça, no Extremo Sul da Bahia, foi interditada na manhã deste sábado, 14 de fevereiro, durante um protesto realizado na Ponte que dá entrada ao município de Prado. A manifestação reuniu moradores e produtores rurais que bloquearam totalmente a via, queimando pneus e galhos de árvores para impedir a passagem de veículos.

O ato teve início por volta das 7h e contou com a participação de diversos cidadãos que cobram mais segurança e medidas efetivas das autoridades diante do que classificam como uma crescente onda de invasões de terras e ataques armados na região. Os organizadores reforçaram a importância da mobilização popular como forma de pressionar o poder público por soluções concretas.

A manifestação ocorre em meio a um cenário de tensão que, segundo moradores, tem se intensificado nos últimos meses. A cidade de Prado, de acordo com relatos da população, tem sofrido constantes ataques e invasões, aumentando o clima de insegurança no campo e na área urbana.

Na última semana, proprietários da Fazenda Barra do Cahy, localizada no município de Prado, tornaram públicas denúncias de invasão armada, violência e descumprimento de decisão judicial que, segundo eles, garante a posse da área. Conforme relato da família, a primeira invasão ocorreu na noite de domingo (8), quando homens encapuzados e fortemente armados teriam rendido caseiros sob ameaça, além de levarem pertences pessoais, celulares e cartões bancários. Estruturas da propriedade foram danificadas e um restaurante existente no local foi saqueado.

Após a saída do grupo, acionada pela Polícia, os proprietários retornaram para avaliar os prejuízos. No entanto, segundo a denúncia, na noite seguinte cerca de 30 homens teriam voltado à fazenda com armamento mais pesado. A porteira principal foi incendiada, permitindo nova entrada e a ocupação total da propriedade.

Desde então, os donos afirmam estar impedidos de acessar a área. Funcionários teriam sido expulsos de suas residências e proibidos de retornar, inclusive para retirar objetos pessoais. A família também manifesta preocupação com a segurança de cavalos e outros animais que permanecem no local, além do risco de incêndios e danos ambientais, já que parte da fazenda está situada em área de preservação.

Os proprietários informam que a área é alvo de um processo judicial relacionado à demarcação de território, mas ressaltam que não há decisão definitiva. Segundo eles, há uma ordem judicial vigente, expedida por meio de Ação de Interdito Proibitório, que assegura a posse da fazenda e proíbe invasões até o julgamento final da causa. Ainda assim, alegam que continuam impedidos de entrar na propriedade e que a decisão estaria sendo desrespeitada.

A família também relatou a presença de representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) acompanhando o grupo que ocupa a área. Diante do que classificam como um cenário de medo, insegurança e abandono, os proprietários afirmam estar reunindo documentos, fotos e vídeos para formalizar as denúncias e cobrar providências das autoridades competentes.

O caso segue gerando repercussão na região e reforça o clima de tensão que motivou o protesto deste sábado na BA-489.

Até o momento desta reportagem a Ponte já foi liberada e seu fluxo segue contínuo.