Nova ocupação indígena em Barra do Cahy mobiliza autoridades em Prado
Um novo episódio de ocupação de propriedades rurais foi registrado na região de Barra do Cahy, no município de Prado, no extremo sul da Bahia. A ação ocorreu na manhã de quinta-feira (19), por volta das 6h, e envolveu áreas pertencentes à família Dequech, onde funciona um empreendimento hoteleiro de alto padrão.
De acordo com registros policiais, a família foi representada pelo advogado Ricardo de Figueiredo Habib, que compareceu à unidade da Polícia Judiciária em nome de Moema Dequech Carvalho, sócia e representante legal da empresa Barra do Cai Negócios Imobiliários Ltda. No boletim de ocorrência, consta que cerca de 20 pessoas teriam ingressado nas propriedades de forma abrupta, ultrapassando cercas e portões e impedindo o acesso de proprietários e funcionários.
As áreas ocupadas, segundo a representação, estão sob posse contínua da família desde a década de 1970 e contam com diversas benfeitorias produtivas, como chalés destinados à locação temporária, áreas de convivência, cozinha compartilhada e sistemas de saneamento. Ainda conforme o relato, todos os imóveis possuem registros válidos no Cartório de Registro de Imóveis de Prado. Entre eles estão as fazendas Estrela Dalva, Estrela, Estrela do Norte e Lagoa Doce.
O documento descreve ainda que os ocupantes teriam montado barreiras internas, restringindo completamente a circulação no local, o que motivou o pedido de providências urgentes para assegurar a posse e preservar bens e estruturas existentes.
No mesmo dia, um segundo boletim de ocorrência foi registrado envolvendo propriedades de Jurema Dequech de Miranda, sócia da empresa Corumbau Negócios Imobiliários Ltda. Segundo o relato, imóveis ocupados pela família desde 1980 também foram tomados por um grupo estimado em 20 pessoas. Há a denúncia de que parte dos ocupantes estaria armada, além do registro de danos em cercas, portões e estruturas como casas, galpão com placas solares, baterias, equipamentos agrícolas e materiais de construção.
Moradores da região afirmam que o impasse se arrasta há anos sem solução definitiva. “É um problema antigo, que já dura cerca de quatro anos. Falta interesse político para resolver de forma concreta”, comentou um residente da área afetada.
As ocorrências foram formalizadas na Delegacia Territorial da Polícia Civil de Prado. Em contrapartida, o cacique da etnia Pataxó declarou que os indígenas vindos da região do Monte Pascoal estariam realizando um novo ritual em território que consideram tradicionalmente reivindicado pelo grupo.
A apuração e o acompanhamento da situação ficaram sob responsabilidade da Polícia Federal, com apoio da Força Nacional.

