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Justiça solta ex-diretora de presídio investigada por fuga em massa em Eunápolis

17/03/2026 - 11h43Por: Sulbahianews

A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, deve deixar a prisão nesta terça-feira, 17 de março, após decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) que determinou sua soltura. O alvará foi entregue na unidade prisional na segunda-feira, 16. Ela estava detida no âmbito das investigações sobre a fuga de 16 detentos registrada em dezembro de 2024.

Joneuma é apontada como suspeita de ter facilitado a ação criminosa que resultou na evasão em massa. O caso ganhou novos desdobramentos no início deste mês, quando a Polícia Civil cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão relacionados à investigação — ocasião em que a ex-diretora foi um dos alvos.

Durante uma dessas diligências, um suspeito conseguiu escapar após atirar contra os policiais. No imóvel onde ele estava, foram apreendidos entorpecentes, dinheiro em espécie e anotações consideradas relevantes para o avanço das investigações.

Fuga envolveu ataque armado

A fuga ocorreu após uma ação coordenada. De acordo com a polícia, enquanto internos perfuravam o teto de uma cela, um grupo de cerca de oito homens armados invadiu o presídio, disparando contra agentes e guaritas para dar cobertura à saída dos detentos.

Segundo o comandante da Polícia Regional, coronel Luís Alberto Paraíso, a ofensiva externa foi determinante para o sucesso da fuga. Os presos teriam descido por cordas e escapado em direção a uma área de mata.

Durante o ataque, os criminosos mataram um cão de guarda da unidade. Um fuzil calibre 5.56, de fabricação estrangeira e sem numeração aparente, foi abandonado no local, além de carregadores com dezenas de munições intactas.

Investigações e paradeiro dos fugitivos

Dos 16 detentos que escaparam, apenas um foi recapturado até o momento: Valtinei dos Santos Lima, conhecido como “Dinei”, localizado em setembro de 2025, em Porto Seguro. Outros dois morreram em ações policiais ao longo do ano passado.

Treze seguem foragidos, incluindo apontados líderes e integrantes de uma organização criminosa com atuação no extremo sul da Bahia. Conforme as investigações, o principal alvo da ação era Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dadá”, considerado chefe do grupo.

Ainda segundo a polícia, todos os fugitivos cumpriam pena por crimes como tráfico de drogas, associação criminosa e homicídios.
Pagamento por participação

As apurações também indicam que a fuga foi articulada com apoio externo mediante pagamento. Um homem preso dias após o crime confessou ter sido contratado para participar da invasão, com promessa de receber R$ 5 mil. Ele afirmou ainda que recebeu um fuzil para a ação, que deveria ser devolvido após a operação.

Atentado e tensão na unidade

Meses após a fuga, em maio de 2025, um motorista do presídio foi baleado nas proximidades da unidade. A suspeita, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), é de que o verdadeiro alvo fosse o então diretor da unidade, Jorge Magno Alves, que não foi atingido.

O caso segue sob investigação, e a decisão que colocou a ex-diretora em liberdade não encerra o processo.