Sustentabilidade

Indígena moradora de Itanhém cria canudo biodegradável a partir de folhas de goiabeira

12/07/2026 - 15h00Por: Sulbahianews

Uma iniciativa que une conhecimento tradicional, ciência e preocupação ambiental tem ganhado destaque no extremo sul da Bahia. Moradora do município de Itanhém, a indígena do povo Maxakali, Eva Pereira de Camargo, de 31 anos — conhecida como Maybí Machacalis — está à frente do desenvolvimento de um canudo biodegradável produzido com matéria-prima vegetal.

A proposta surgiu a partir de observações do cotidiano e da inquietação com os impactos causados pelo uso excessivo de plásticos descartáveis. Segundo Maybí, a ideia começou a tomar forma ao perceber o potencial de recursos naturais disponíveis em sua própria residência, como as folhas de goiabeira.

O material criado por ela combina a utilização dessas folhas com um polímero natural derivado da linhaça, formando uma estrutura totalmente de origem vegetal. A alternativa busca substituir itens plásticos convencionais, que frequentemente acabam gerando resíduos de longa duração no meio ambiente.

De acordo com testes iniciais realizados pela própria pesquisadora, o protótipo apresenta resistência variável conforme a temperatura das bebidas. Em líquidos quentes, o canudo mantém sua integridade por cerca de 15 a 30 minutos, enquanto em bebidas frias esse tempo pode chegar a até 50 minutos. Após o descarte, a decomposição pode ocorrer em um intervalo estimado entre uma e duas semanas, dependendo das condições ambientais.
Além da rápida degradação, a proposta se destaca por reduzir o risco de formação de microplásticos — partículas que representam uma ameaça crescente aos ecossistemas terrestres e aquáticos. Outro ponto relevante é o retorno da matéria orgânica ao solo, contribuindo para ciclos naturais de decomposição.

Embora ainda esteja em fase inicial, o projeto apresenta potencial para expansão. Maybí avalia que, com estudos mais aprofundados e adequações técnicas, o produto poderá alcançar viabilidade em escala industrial, especialmente por utilizar insumos de fácil acesso.
A pesquisadora também ressalta o caráter social da iniciativa, que pode estimular o desenvolvimento de soluções sustentáveis baseadas na biodiversidade brasileira e no conhecimento de povos tradicionais. Para avançar, ela busca parcerias com universidades, centros de pesquisa, empresas e investidores interessados em validar e aprimorar a tecnologia.

A intenção, segundo Maybí, é continuar desenvolvendo alternativas ecológicas que, além de substituir materiais poluentes, possam gerar impactos positivos após o descarte, como auxiliar em processos ambientais.

A iniciativa reforça o papel da inovação aliada à preservação e evidencia a importância da inclusão de comunidades indígenas na construção de soluções voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas e à proteção do meio ambiente.