Investigação

Grupo é preso após ataque que deixou duas turistas baleadas em Prado

24/02/2026 - 23h41Por: Sulbahianews

Doze pessoas foram conduzidas à delegacia de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, após um ataque a tiros que deixou duas turistas feridas na tarde desta terça-feira, 24 de fevereiro, no município de Prado. O caso ocorreu em uma região marcada por conflitos fundiários envolvendo indígenas e fazendeiros, dentro do território indígena de Comexatibá. As informações foram confirmadas pela Polícia Federal.

De acordo com informações, os suspeitos levados à delegacia também estariam envolvidos nos recentes confrontos por posse de terra na região. Durante a operação policial, realizada em Prado, foram apreendidas cinco armas de fogo e aparelhos celulares. Os armamentos estavam enterrados em uma área de mata fechada, próxima ao local onde as turistas foram baleadas.

As vítimas, duas mulheres de 55 e 57 anos, naturais do Rio Grande do Sul, estavam de férias em Corumbau, distrito de Prado. Elas seguiam de carro para a praia da Barra do Cahy, a cerca de 44 quilômetros de distância, quando passaram por uma estrada vicinal onde havia um bloqueio montado por indígenas que participam de um movimento denominado “ação de retomada do território”.

Nesse ponto, o veículo em que as turistas estavam foi atingido por disparos de arma de fogo. Um homem que também ocupava o carro não foi ferido. As duas mulheres foram socorridas inicialmente em um posto de saúde de Corumbau e, em seguida, transferidas de helicóptero para o Hospital Regional de Porto Seguro. Segundo informações da TV Santa Cruz, afiliada da TV Bahia, ambas passaram por cirurgia e não correm risco de morte.

O bloqueio ocorreu dentro da Terra Indígena Comexatibá, área com cerca de 28 mil hectares que é alvo de disputas históricas entre comunidades indígenas e proprietários rurais. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que determinou o reforço imediato do policiamento na região e que a investigação ficará a cargo da Polícia Civil.

O Ministério da Justiça informou que a Terra Indígena Comexatibá foi declarada de posse permanente do povo indígena Pataxó em novembro de 2025. O processo, segundo o órgão, foi encaminhado à Fundação Nacional dos Povos Indígenas e segue em andamento, aguardando a fase final de homologação e demarcação física do território.

Em posicionamento oficial, a Funai afirmou acompanhar a situação “com elevada preocupação” e destacou que não possui competência investigativa, cabendo a apuração aos órgãos de segurança pública. O órgão ressaltou ainda que mantém articulação com instituições federais e forças de segurança, reforçando a necessidade de proteção tanto das comunidades indígenas quanto da população civil.

Já o Coletivo de Lideranças Indígenas da Terra Indígena Comexatibá negou qualquer envolvimento de indígenas no ataque às turistas. Em nota, o grupo afirmou que os disparos não partiram de integrantes do movimento de retomada territorial.

“O que vem ocorrendo é uma escalada de ações de grupos armados e organizados por interesses privados, sobretudo fazendeiros, que buscam criminalizar nosso movimento e confundir a opinião pública”, declarou o coletivo. As lideranças também repudiaram os atos de violência e cobraram proteção das autoridades diante da intensificação das tensões na região.

Segundo o grupo, a ausência da demarcação física do território contribui para a insegurança jurídica e aumenta a vulnerabilidade das comunidades indígenas. “Que as autoridades competentes investiguem com imparcialidade e transparência os episódios violentos ocorridos hoje”, conclui a nota.

O caso segue sob investigação.

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