Geddel, Joneuma e Uldurico Jr.: Fantástico detalha delação sobre fuga em massa no presídio de Eunápolis
Uma delação premiada trouxe novos desdobramentos sobre a fuga do traficante Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dada”, ocorrida no fim de 2024 em um presídio de Eunápolis, no sul da Bahia. O caso ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pelo programa Fantástico.
Condenado a 68 anos de prisão por crimes como tráfico de drogas e homicídios, Dada segue foragido. Em depoimento ao Ministério Público, a ex-diretora da unidade prisional, Joneuma Silva Neres, afirmou que houve pagamento para viabilizar a fuga do detento.
Segundo a delatora, o valor negociado teria sido de R$ 2 milhões — inicialmente estipulado em R$ 3 milhões — e envolveria o ex-deputado federal Uldurico Júnior e o ex-ministro Geddel Vieira Lima. “O combinado eram R$ 2 milhões […] mas não posso afirmar que eles receberam a totalidade”, declarou.
Atualmente em prisão domiciliar, Joneuma é considerada peça-chave nas investigações. O Ministério Público da Bahia informou que Geddel Vieira Lima está sendo investigado no caso. Em nota, a defesa do ex-ministro classificou a delação como “insustentável” e afirmou que ele “jamais teve qualquer participação ou ciência dos fatos”.
Já os advogados de Uldurico Júnior também negaram qualquer envolvimento no esquema, sustentando que as acusações são falsas. O ex-parlamentar foi preso na semana passada, no contexto das investigações.
Influência dentro do presídio

As apurações indicam a existência de uma rede de influência no sistema prisional. Promotores apontam que Uldurico Júnior teria interferido na nomeação de Joneuma para a direção do presídio em 2024.
Além disso, há suspeitas de vínculos pessoais entre a ex-diretora, o ex-deputado e o próprio traficante — relação que Joneuma nega. Mesmo após a fuga, indícios apontam que Dada manteve influência ativa, com uma estrutura organizada de apoio.
Atuação fora da Bahia
Após escapar, o traficante teria deixado a Bahia e se deslocado para o Rio de Janeiro, onde passou a atuar em comunidades como a Rocinha e o Vidigal. De acordo com investigadores, ele teria se aliado ao Comando Vermelho, ampliando sua atuação no tráfico de drogas.
No sul baiano, Dada é apontado como líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção envolvida em disputas armadas, execuções e imposição de regras em áreas dominadas.
Relatórios das autoridades indicam que a presença do criminoso no Rio fortaleceu a conexão entre organizações criminosas de diferentes estados, promovendo troca de estratégias e aumento do poder de fogo dessas facções.
Desafio para a segurança pública
Investigadores destacam que esse tipo de articulação entre grupos criminosos amplia a complexidade do combate ao crime organizado no país. A integração entre facções e a mobilidade de líderes criminosos são apontadas como fatores que dificultam a atuação das forças de segurança.
As investigações continuam, e novas diligências devem aprofundar o papel de cada envolvido no esquema que resultou na fuga de um dos criminosos mais procurados da região.

