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Noite do Vinil: DJ Lenny fala sobre nostalgia, música e expectativas para a 2ª edição

A poucos dias de um dos eventos mais aguardados pela cena cultural de Teixeira de Freitas, a expectativa para a 2ª edição da Noite do Vinil não para de crescer. Para antecipar os detalhes da festa, o impacto da cultura analógica entre os jovens e o que esperar dessa nova experiência, o jornalista Luiz Oss bateu um papo exclusivo com o lendário DJ Lenny. Confira a entrevista completa a seguir:
1) A primeira edição foi um sucesso e trouxe uma presença massiva da Geração Z — uma galera que nem viveu a era de ouro do LP. Na sua opinião, o que tem atraído tanto essa juventude para a cultura do vinil?
Na verdade, os jovens estão sempre em busca do novo, de algo que desperte sua atenção. No entanto, fica a dúvida: o que os atrai hoje permanecerá amanhã? Essa cultura veio para ficar ou será “líquida” — como dizia Zygmunt Bauman —, podendo mudar drasticamente em questão de poucos meses? Só o tempo dirá.
2) Mesmo em uma era tão digital e instantânea, o interesse pelo vintage só cresce. O que você acha que leva as pessoas a buscarem essa reconexão com o passado?
Um dos principais fatores é a péssima qualidade de boa parte da música atual, agravada pelo advento da Inteligência Artificial. A tecnologia proporcionou uma produção musical rápida, porém sem alma. Por serem “perfeitas” demais, falta a essas composições o tempero das nossas imperfeições, que é justamente o que confere humanidade à arte. É o mesmo que cantar com playback para tentar imitar o cantor original: no processo, acabamos perdendo a nossa própria identidade.
3) Teixeira de Freitas vem se consolidando como um polo para eventos fora do convencional, reunindo públicos com gostos bem específicos. Você enxerga a cidade com potencial para virar referência regional em cenários musicais alternativos?
Tem potencial, sim, mas não é algo que acontecerá da noite para o dia. Precisa ser um processo bem alicerçado. Na verdade, faltam mais encontros musicais focados na “arte pela arte”, sem pensar puramente no retorno financeiro. Além disso, quem tem voz e repertório precisa compartilhar esse conhecimento. Tudo na vida é efêmero, e não transmitir o que sabemos faz com que essa bagagem cultural se perca.
4) Você é conhecido por ser a “alma da festa”, com uma performance envolvente e psicodélica que coloca até os mais tímidos para dançar. Como é a sua preparação para entregar essa energia na pista e o que muda no seu processo quando o set é 100% em vinil?
É imprescindível sentir a música como uma energia vibrante, algo que magnetiza e percorre toda a extensão do ser. E, claro, acima de tudo, você precisa amar a música — me refiro, obviamente, à música de qualidade, excluindo certas produções que mais parecem a trilha sonora de um filme porno de baixo orçamento. Respeito quem gosta, mas não sou obrigado a apreciar esse tipo de gênero.
Em relação ao evento em si, preparar um repertório 100% em vinil dá muito trabalho. É um processo orgânico, que exige tempo, dedicação e um profundo conhecimento musical.
5) A banda The Underdogs é uma das mais visionárias da cidade na produção de eventos alternativos. Como surgiu esse convite para somar forças com eles na Noite do Vinil?
O convite partiu do guitarrista, Arthur Sousa. Ele me chamou e eu aceitei de pronto. Pensei comigo mesmo: “Vamos ver no que vai dar”. No fim, o sucesso estrondoso da primeira edição foi uma excelente surpresa para todos nós.
6) O público que curtiu a primeira festa já sabe o que esperar da vibe, mas o que a 2ª edição reserva de inédito na pista de dança?
Nesta edição teremos grandes novidades, como um repertório bem diversificado que promete encantar o público. O local também mudou. Com certeza receberemos um público novo, além de reencontrar muitos que prestigiaram a primeira festa. Quem sabe não estamos testemunhando o surgimento de uma nova tradição cultural em nossa cidade? Confesso que essa perspectiva é extremamente estimulante.
7) Para fechar: qual é o seu recado para quem ainda não viveu a experiência da Noite do Vinil e está na dúvida se vai no dia 19?
Apenas vá e se permita viver essa nova experiência. Até porque, para mim, também será algo inédito — afinal, nada se repete. Como dizia o velho Heráclito, “ninguém pode banhar-se duas vezes no mesmo rio”. Portanto, toda festa é única, e aquele friozinho na barriga sempre acompanhará o artista, por mais experiente que ele seja.


