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Servidor público amputa o próprio pé para tentar receber indenização milionária

17/06/2026 - 15h01Por: Sulbahianews

Um servidor público do município de Amélia Rodrigues, no Recôncavo baiano, foi condenado pela Justiça após protagonizar um caso considerado incomum e de grande repercussão: ele amputou o próprio pé com o objetivo de simular um assalto e, assim, tentar receber cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações de companhias seguradoras.

O episódio ocorreu em 2019, mas a sentença definitiva foi concluída apenas em 2025. Identificado como Vanderley dos Santos Gomes, o réu recebeu pena de dois anos de prisão em regime aberto. No entanto, a punição foi convertida em medidas restritivas de direitos, incluindo 720 horas de prestação de serviços à comunidade e o pagamento de R$ 7.590 em prestação pecuniária. O cumprimento da pena teve início em maio deste ano.

De acordo com a decisão da Vara de Execuções Penais de São Gonçalo dos Campos, o conjunto de provas demonstrou que o servidor agiu de forma premeditada. A investigação apontou que ele contratou quatro apólices de seguros de vida e acidentes pessoais em um curto intervalo de tempo, nos meses de junho e julho de 2019, com cobertura total que chegava a R$ 1,5 milhão em caso de invalidez.

Pouco depois, na madrugada de 10 de julho daquele ano, o homem registrou uma ocorrência alegando ter sido vítima de um assalto em uma estrada rural no povoado de Mercês. Na versão apresentada, criminosos teriam amputado seu pé direito durante a ação. No entanto, as apurações revelaram inconsistências desde o início.

O membro amputado foi encontrado junto aos pertences do servidor, o que levantou suspeitas. Além disso, peritos constataram que a lesão não apresentava características compatíveis com um ataque violento típico de assalto. Laudos indicaram que o procedimento foi realizado com conhecimento técnico, sugerindo a participação de alguém com experiência cirúrgica.

Outro ponto que chamou a atenção foi o comportamento do próprio servidor após o ocorrido. Segundo as investigações, ele iniciou rapidamente os pedidos de indenização junto às seguradoras, o que, aliado ao alto valor envolvido e à contratação simultânea de múltiplas apólices, acionou os mecanismos de alerta das empresas.

A partir daí, seguradoras e Polícia Civil passaram a atuar de forma conjunta. O cruzamento de dados, relatórios médicos, documentos e depoimentos fortaleceu a tese de fraude. A Justiça concluiu que não havia qualquer evidência de um assalto real, tampouco motivação plausível para um crime com tamanha violência sem exigência de resgate.

A defesa do acusado tentou reverter a condenação alegando falta de provas e sustentando que não havia comprovação de que ele teria provocado a própria lesão. Também foi apresentado recurso para levar o caso a instâncias superiores, mas o pedido não foi aceito. O Tribunal de Justiça da Bahia manteve a condenação em segunda instância, destacando a robustez das evidências.

Segundo representantes das seguradoras, o caso é considerado emblemático no combate a fraudes no setor. Apenas em 2024, mais de R$ 1,1 bilhão em indenizações indevidas foram evitadas no país após identificação de golpes semelhantes.

Especialistas destacam que a atuação integrada entre empresas e órgãos de investigação tem sido fundamental para identificar padrões suspeitos e impedir prejuízos milionários. No caso de Vanderley, a combinação de fatores — como valores incompatíveis com sua renda e a proximidade entre a contratação dos seguros e o suposto crime — foi determinante para desmontar a tentativa de fraude.

Com o trânsito em julgado da ação, o servidor foi oficialmente intimado a cumprir as medidas impostas pela Justiça.